![]() • Blip.fm • Flickr • Last.fm • Orkut Profile • lucasturmena@hotmail.com Lucas Turmena, 18 anos, curitiboca típico, muitos planetas em Virgem e Sagitário, pretenso designer e publicitário, apaixonado por literatura e idiomas, meia dúzia de idéias compulsivas e um pouco de tédio. • Música: Aqualung, Caetano Veloso, Chico Buarque, Gotan Project, Los Hermanos, Narcotango, Placebo, The Beatles, The Smiths, The Whitest Boy ALive; • Filmes: Bicho de Sete Cabeças, C.R.A.Z.Y., (O) Cheiro do Ralo, Goodbye Lenin!, Great Expectations, Incuráveis, Juno, Ladri di Biciclette, Paris Je T'aime, Singin' in the Rain, Todo Sobre Mi Madre, Un Chien Andalou; • Livros: Assis, Kundera, Leminski, Lispector, Márquez, Nabokov, Sain-Exupéry, Scliar, Telles.
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- Três pães d'água, por favor. - Desculpa, estão no forno. Quer esperar? - Hm... Pode ser francês então. - Também estão no forno, mas saem em 8 minutos, vai esperar? - frações de segundo todas as possibilidades me passaram na cabeça: iria para casa, deixaria minhas coisas e então pegaria os pães; esperaria 8 minutos, cansado; simplesmente não comeria pão algum. Decidi-me por esperar: - Espero, sim. Sentei-me em um banco, de metal e pernas altas, ao canto do estabelecimento, emoldurado por batatinhas e outros salgadinhos. Olhei a minha volta, prestando atenção nas pessoas. Do lado, um grupo de amigos que, visivelmente, também esperavam os pães saírem. Eram três, fortes e de ar jocoso. As jovens atendentes, atrás do balcão, trocavam banalidades e risinhos. - Dez pães, por favor. - O pão está no forno, quer esperar? Essa aí decidiu ir antes para casa. Contentou-sa em levar um pacote de pão de fôrma e mais algumas balas que o filho, que lhe puxava a mão, esperneava para ter. - Vai querer pão? - a perguntou soou quase acusatória, ao homem que mal pisara na soleira do lugar, o qual respondeu com estranhamento: - Sim, vou. Pão francês. Seis. - Estão no forno, pode esperar um pouco? Fez cara de intelectual. Abanou a cabeça em concordância, disse que ficaria por ali. Jogou o cabelo intelectual, que cobria o óculos intelectual, para o lado e abriu a geladeira, próxima da porta, tirou uma água de coco, instinto natureba de intelectual, procurou por um canudo, no balcão, próximo ao grupo de amigos. Voltou para a porta, tirou o celular para conferir a hora e olhou com olhar vazio para a pacata rua lá fora. - Oi, Su. Oi, oi, Fer. - Oi, Paulo. Como está? - Bem. - Viu o pai já? - Sim, ele passou por mim ali fora. - O que vai querer? - Nada não. Estou a passeio só. - De graça? Sai de graça? - o mesmo risinho entre as atendentes. Piadas bobas, já se sabia. - De graça nada, estou de carro. Dentista. Estou adiantado e passei só para dar um oi. E ficou ali, de pé, no meio da padaria, a passeio! A situação me pareceu ridícula: olhei em volta. O intelectual voltou dizendo um "opa!" para o grupo de amigos. - É de vocês o carro branco ali? - breve aceno de cabeça dos três - O alarme está apitando. - Pega a chave e vai lá dar um jeito - disse o motorista para o menos forte dos três, que sumiu pela porta para retornar logo depois. O intelectual também se afastou, sem dizer mais nada. Voltou para a porta, com ar distante e muito superior. - Meninas, vou indo. Já deu minha hora. - depois de ficar algum tempo de pé, calado, ele decidiu ir. - Os três pães d'água. São seus? - São sim. - Estão aqui. - Peguei os pães e fui embora. |