![]() • Blip.fm • Flickr • Last.fm • Orkut Profile • lucasturmena@hotmail.com Lucas Turmena, 18 anos, curitiboca típico, muitos planetas em Virgem e Sagitário, pretenso designer e publicitário, apaixonado por literatura e idiomas, meia dúzia de idéias compulsivas e um pouco de tédio. • Música: Aqualung, Caetano Veloso, Chico Buarque, Gotan Project, Los Hermanos, Narcotango, Placebo, The Beatles, The Smiths, The Whitest Boy ALive; • Filmes: Bicho de Sete Cabeças, C.R.A.Z.Y., (O) Cheiro do Ralo, Goodbye Lenin!, Great Expectations, Incuráveis, Juno, Ladri di Biciclette, Paris Je T'aime, Singin' in the Rain, Todo Sobre Mi Madre, Un Chien Andalou; • Livros: Assis, Kundera, Leminski, Lispector, Márquez, Nabokov, Sain-Exupéry, Scliar, Telles.
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Lá dentro faz um silêncio completo, se não fosse o ecoar das minhas próprias batidas, vibrando e remoendo e soando surdo. E agora eu já nem sei mais se o eco é das batidas da minha mão, do meu coração apressado ou da cabeça que não pára de latejar. Tudo bem... concordo. Se fosse a cabeça, seria algo como metal, tinindo mais que a maçaneta suada que se defende de qualquer investida, trancada do lado de dentro. Mas mesmo assim, a batida lá dentro se confunde com a minha, o que me desagrada mais porque, em última instância, o lado de dentro está morto e o estardalhaço que me vem pelo buraco da fechadura é meu próprio esforço em tentar afastar um milímetro que seja a dura folha de madeira, só para que eu espie lá dentro e tenha certeza de que a corrente sangüínea que eu ouço correr não existe lá e é só minha própria pulsação nas têmporas. Juro que tento só mais 2 vezes. Ou quem sabe uma meia-dúzia. Eu nunca soube quando parar, até porque nunca comecei. Desagradável surgir assim, de madrugada, para bater à porta de alguém quase desconhecido. Se não me fosse realmente necessário... Certo. As duas dezenas de batidas que eu tinha colocado de prazo já acabaram, talvez eu deva dar um descanso para todo meu corpo extenuado de tanto insistir. Ou não! Talvez eu deva bater, assim, bem de fraquinho... mansinho, em silêncio, sugerindo um sopro ou um abraço amigo. Devem ter achado que era um maluco, é claro. Batendo assim, em desespero, com o coração aos saltos. Talvez se usar só a pontinha dos dedos, num leve toc-toc, não sejam tão estranho e me faça abrir. Ou talvez o bater de fraquinho se assemelhe a uma canção de ninar e aí sim que o interior vai parecer como que morto. Não, já perdi a noite aqui batendo e não vai dar resultado. Viajaram, a casa está vazia e mesmo que tivesse gente, fariam silêncio para nunca serem encontrados. Volto outro dia ou nunca mais, se o coração resolver bater.
Você não tinha o celular da pessoa??? By Unknown, at quarta-feira, janeiro 21, 2009 2:04:00 AM |